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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2017
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Última Atualização: 18:53 - 04/05/2017

Mundo sem Guerras
e sem Violência (MSG)

Antecedentes

Mundo sem Guerras e sem Violência (MSG) é um organismo do Movimento Humanista, que surgiu em 4 de maio de 1969, com uma exposição pública de seu fundador, Silo, conhecida como "A Cura do Sofrimento", em uma paragem da Cordilheira dos Andes chamada Punta de Vacas, perto da fronteira entre Argentina e Chile.

O Movimento Humanista se baseia na corrente de pensamento conhecida como Novo Humanismo ou Humanismo Universalista, que se encontra exposta na obra de Silo e na de diversos autores que nela se inspiraram.

Esse pensamento, que implica também um sentimento e uma forma de viver, expressa-se em diversos campos do quefazer humano, dando origem a diversos organismos e frentes de ação. Todos eles se aplicam em seus campos específicos de atividade com um objetivo comum: humanizar a Terra, contribuindo, assim, para aumentar a liberdade e a felicidade dos seres humanos. Assim, têm em comum a metodologia da Não-violência Ativa e a proposta de mudança pessoal em função da transformação social.

Outros organismos também surgidos do Movimento Humanista são: o Partido Humanista, A Comunidade para o Desenvolvimento Humano, a Convergência das Culturas e o Centro Mundial de Estudos Humanistas.

Mundo sem Guerras e sem Violência foi apresentado pela primeira vez em 1995, no Encontro Aberto do Humanismo realizado no Chile (Universidade de Santiago).

Objetivos

Mundo sem Guerras e sem Violência é um movimento social cujo objetivo é a criação de uma consciência não-violenta mundial.

Essa nova consciência será o passo necessário para um mundo livre de violência, não somente em sua expressão mais cruel, as guerras e a violência física, mas também livre da violência econômica, racial, religiosa, sexual, psicológica e moral.

Trabalha em particular para o fim das guerras e dos conflitos armados em todo mundo. Luta pela eliminação completa das armas nucleares, pelo desarmamento proporcional e progressivo das armas convencionais, pela retirada das tropas invasoras dos territórios ocupados, pela renúncia por parte dos governos a utilizar a guerra como meio para resolver conflitos, através de reformas constitucionais que proíbam explicitamente o uso da guerra, e por uma redefinição do papel das Forças Armadas de hoje, estabelecendo como função primordial a prevenção das guerras. Para avançar nesse último ponto, é necessário ir limitando o uso das Forças Armadas, democratizar seu funcionamento e suas relações com a sociedade civil e colocá-las sob controle público.

Sua aspiração é unir o movimento antibélico, conectando os ramos do pacifismo e da não-violência dispersos geograficamente, e também dar seu ponto de vista sobre temas aparentemente não relacionados, para ir avançando em uma compreensão global das guerras e da violência.

Eliminar as guerras representará sair definitivamente da pré-história humana e dar um passo gigante no caminho evolutivo de nossa espécie. Um "mundo sem guerras" é uma proposta que olha para o futuro e aspira a concretizar-se em cada canto do planeta para que o diálogo vá substituindo a violência.

O MSG postula o fato óbvio de que a grande maioria dos seres humanos não quer as guerras nem a violência, mas ao mesmo tempo não acredita que seja possível eliminá-las. Entende, portanto, que, além de realizar ações sociais, é necessário trabalhar revisando as crenças a respeito dessa suposta realidade imutável.

Idéias básicas

Sobre a guerra

A história universal registrou mais de 2.500 guerras, nas quais pereceram milhões de seres humanos. As guerras são realizadas para redistribuir, por meio da violência armada, os bens sociais, subtraindo-os de uns e entregando-os a outros . (1)

Esse interesse é disfarçado hoje com motivos religiosos, geopolíticos, "defesa" dos direitos humanos, etc. Ao mesmo tempo, o progresso tecnológico vai produzindo armas cada vez mais devastadoras que apontam cada vez mais à população civil, justificando-se como "dano colateral".

Na sociedade contemporânea, existem poderosas forças sociais interessadas nas guerras, como o complexo militar-industrial, agrupações racistas, nacionalistas radicais e fundamentalistas, grupos mafiosos, etc. A venda de armas é um dos negócios mais lucrativos de muitos países, principalmente dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar de todas as tentativas de vários organismos internacionais (entre eles a ONU), continua-se justificando a guerra e a violência como parte de uma suposta "natureza humana". O MSG tem a visão humanista do ser humano como ser histórico, cuja forma de ação social muda sua própria natureza (2). Não somente as guerras e a violência acompanharam a humanidade em seu desenvolvimento histórico; vemos em quase cada época e em muitos pontos geográficos o surgimento de uma atitude ética, solidária, compassiva, revolucionária e humanizadora.

Violência e Não-violência ativa

A existência humana está aberta ao mundo e atua nele intencionalmente. Ela pode nihilizar o mundo (e, portanto, o corpo, a natureza e/ou a sociedade) ou humanizá-lo. É a partir dessa liberdade que o ser humano escolhe aceitar ou negar as condições sociais em que nasce, desenvolve-se e morre.

Todas as formas de violência se manifestam como a negação da intencionalidade de outro ser humano (e, certamente, de sua liberdade), como ação de submergir o ser humano ou conjuntos humanos no mundo da natureza. É essa objetivação o que permite privar outros de seu direito à liberdade, à felicidade e, por último, à vida. É também essa liberdade o que permite a uma minoria apropriar-se do todo social em violenta concentração de riqueza e recursos.

Assim, organizou-se um sistema socioeconômico, de relações interpessoais e pautas existenciais cujo signo particular é a violência, que consideramos normal na maior parte do tempo, embora a dor e o sofrimento pessoal e social delatem a necessidade de transformar tal sistema.

A não-violência já aparece muito cedo em quase todas as culturas e religiões em seus momentos mais humanistas, com diferentes expressões da Regra de Ouro, até concretizar-se no Princípio de Ação Válida: "quando tratas outros como queres que te tratem, te liberas" (3).

Emergente de tais experiências desenvolve-se, então, a não-violência como metodologia de ação. Desde os movimentos anti-escravistas e de descolonização até os movimentos pelos direitos civis das minorias raciais, os trabalhadores e as mulheres, passando pela oposição a regimes totalitários e ao armamentismo, sobretudo nuclear, a não-violência ativa apresenta-se como a única metodologia de ação que é coerente com seus objetivos. O Novo Humanismo a aplica desde o princípio, não a um conflito em particular, mas à criação de um sistema global, uma mudança de signo integral para o mundo em que vivemos.

Enquanto o ser humano não realize plenamente uma sociedade humana, ou seja, uma sociedade em que o poder esteja no todo social e não em uma parte dele (submetendo e objetivando o conjunto), a violência será o signo sob o qual se realiza toda atividade social. Por isso, ao falar de violência, é necessário mencionar o mundo instituído e se a esse mundo se opõe uma luta não-violenta, deve-se destacar em primeiro lugar que uma atitude não-violenta é tal porque não tolera a violência. De maneira que não é o caso de justificar um determinado tipo de luta, mas de definir as condições de violência que esse sistema desumano impõe.

Materiais Oficiais

•  Documento Humanista , Silo, 1992

•  Manual de Formação Pessoal para Membros do Movimento Humanista , Centro de Estudos Parque Ponta de Vacas, 2009

•  Obras Completas , Vol. I e II, Silo, Plaza y Valdés, 2002

•  Desarmamento e reconciliação, por um mundo sem guerras , Rafael de La Rubia

•  Autoliberação , Luis A. Ammann (edição atualizada em 2004)


Lineamentos Organizativos 

1. Enquadramento

Os lineamentos que nos damos têm por objetivo definir um modelo organizativo que canalize o impulso de milhões de pessoas que rejeitam as guerras e a violência em todas as áreas do quefazer humano.

Trata-se, portanto, de uma organização mundial, humanista, aberta e participativa, onde todos os seus membros são parte plena e ativa na superação da violência, no fim das guerras e das invasões militares e da eliminação dos armamentos, sejam estes nucleares ou convencionais.

É uma organização onde cada participante é responsável pelo que realiza e constrói, mas principalmente onde todos os membros colaboram e impulsionam a construção de uma realidade melhor para toda a humanidade.

Desse ponto de vista, é uma organização que, trabalhando a partir da base, organiza-se em distintos níveis, com a intenção de que esses níveis sejam um ponto de coordenação de ações comuns. A estrutura básica do Mundo sem Guerras são as "equipes de base" que desenvolvem suas atividades em bairros, escolas, universidades, lugares de trabalho, através da Internet, etc.

2. Membros e participação

A participação está aberta a todas as pessoas, sem discriminação alguma. Qualquer pessoa que coincida com os objetivos básicos do Mundo sem Guerras poderá integrar-se à organização, somando-se como membro pleno ou aderente e, assim, colaborar com as atividades planificadas, participar das reuniões de formação, capacitação e promover novas ações.

Membros plenos : participam das reuniões, impulsionam seu próprio crescimento, capacitando-se com base nos trabalhos pessoais que o MSG promove. São os membros plenos que têm direito a voto nos distintos níveis e nas convocatórias de voto.

Impulsionam, também, o desenvolvimento e a formação de novas Equipes de Base sem limitação geográfica. Os membros plenos são os que sustentam economicamente o MSG.

Membros aderentes : recebem informação, participam de suas atividades e colaboram com seu desenvolvimento.

Qualquer frente de ação, grupo, organização ou agrupação poderá solicitar sua inclusão como "aderente" no MSG.

3. Organização básica

Quando um grupo de pessoas se coloca de acordo para impulsionar atividades do MSG, reunindo-se periodicamente, aprofundando na prática e no estudo da não-violência no campo pessoal e social, estamos diante de uma primeira organização de base que chamamos de " Grupo Promotor do MSG " ( GP ).

Esse grupo não apenas promove as atividades que lhe são próprias, mas promove também entre seus membros relações e condutas baseadas na Regra de Ouro: "trata os demais como queres ser tratado".

Esses grupos promotores do MSG são coordenados em um primeiro momento por aquela pessoa que promoveu sua criação e que os desenvolve seguindo os objetivos expostos nos documentos e materiais oficiais do Mundo sem Guerras.

Quando estes "grupos promotores do MSG" alcançam um desenvolvimento mínimo (aproximadamente 10 membros plenos), obtêm permanência em suas reuniões e escolhem por votação direta um de seus membros para que cumpra com as funções de coordenação da equipe, ficam constituídos como uma Equipe de Base do MSG .

As equipes de base do MSG podem gerar vínculos com outros grupos e organizações de seu meio (intercâmbio, ações conjuntas e colaboração), mas sem estabelecer uma relação orgânica com eles.

Desde sua formação, as equipes ou grupos de base do MSG impulsionam a implementação de três mecanismos ou funções básicas:

crescimento : orienta sua ação para outras pessoas, para outras redes e organizações com o objetivo de divulgar suas propostas e ferramentas.

comunicação : mantém uma comunicação e um intercâmbio fluidos com outras equipes de base e com outras organizações afins com seus objetivos.

formação : atende à progressiva formação de seus membros, oferecendo-lhes as ferramentas para a superação da violência interna e externa. Esses estudos e práticas encontram-se desenvolvidos em seus principais materiais.

4. Coordenação em distintos níveis (nacional, mundial)

A coordenação mundial é responsabilidade da " Equipe de Coordenação Mundial do MSG " ( ECM ), integrada por 12 membros eleitos por votação direta dos membros plenos do Mundo sem Guerras de todo o mundo, a cada dois anos.

A conformação da ECM leva em conta a representação de minorias étnicas, culturais e regionais.

A ECM tem responsabilidades de coordenação geral mundial e poderá propor ações conjuntas de diferentes amplitudes e alcances.

As tarefas da Equipe de Coordenação Mundial são:

•  Coordenação de ações conjuntas;

•  Informação mundial aos Grupo de Base (boletim mundial);

•  Site oficial (página Web mundial oficial nos diversos idiomas em que se encontrarão os materiais oficiais e toda a informação mundial necessária);

•  Comunicados mundiais oficiais;

•  Relações com outras organizações em nível mundial;

•  Admissão de organizações e/ou frentes que, atuando em nível regional ou mundial, desejam incorporar-se como "aderentes" do MSG.

Qualquer proposta ou ação que inclua a modificação dos materiais oficiais ou de aspectos organizativos importantes do MSG deverá ser submetida à votação direta de todos os seus membros plenos.

A coordenação nacional é responsabilidade da " Equipe de Coordenação Nacional do MSG " ( ECN ), integrada por 12 membros eleitos por votação direta dos membros plenos do Mundo sem Guerras de todo o país, a cada dois anos. Cumpre com as mesmas funções do ECM no nível que lhe é próprio.

Sintetizando, os ECNs e o ECM são órgãos permanentes de coordenação, eleitos pelo voto direto dos membros plenos.

Outros níveis de coordenação são temporários e respondem a necessidades conjunturais. Estes serão formados quando for necessário (ações conjuntas, fóruns, campanhas, etc.), mas não terão caráter permanente como os ECNs e o ECM.

5. Funções conjuntas

As Equipes de Base do MSG, assim como as Equipes de Coordenação de país e mundial poderão, se considerarem necessário , definir algumas funções que facilitem a ação conjunta, como:

•  Função de porta-voz: responsável por representar o Mundo sem Guerras em atividades institucionais, diante da imprensa e em toda atividade ou situação onde for necessário expor os pontos de vista do Mundo sem Guerras;

•  Funções de relações com outras organizações;

•  Funções legais e jurídicas;

•  Funções de imprensa e difusão;

•  Outras funções ad-hoc.

Essas funções são eleitas por votação direta dos membros plenos das respectivas equipes (de base, de coordenação de país e mundial), e têm uma duração de 1 ano, no caso das equipes de base, e 2 anos nas equipes de coordenação de país e mundial.

Essas funções são de serviço ao conjunto, conforme a orientação com lineamentos precisos dada pela equipe de coordenação. Além disso, podem ser reeleitas.

6. Economias

O Mundo sem Guerras se autosustenta com a contribuição voluntária de seus membros. Realiza-se uma coleta anual para o sustento das atividades conjuntas com a participação de todos os membros plenos do mundo.

O montante das coletas é definido pelas "equipes de coordenação de país", tomando como base uma porcentagem do salário médio do país em questão.

A coleta é distribuída de maneira proporcional entre as equipes de base, equipes de coordenação de país e a equipe de coordenação mundial, segundo proporção definida pela Equipe Promotora Mundial.

Poderão ser organizadas, também, coletas ocasionais com base nas necessidades que surjam, das quais participarão de forma voluntária os membros plenos e aderentes.

Os montantes de tais coletas ocasionais nunca poderão superar o montante da coleta anual.

Coerentemente com uma organização de base humana, os recursos para seu sustento provêm das contribuições de seus membros.

7. Aspectos Institucionais

O Mundo Sem Guerras se constitui em nível mundial como Federação e não tem fins lucrativos.

De acordo com o grau de desenvolvimento e crescimento do MSG em cada país e com o fim de facilitar o desenvolvimento dos objetivos em sua relação com seu meio, as Equipes tendem a obter sua personalidade jurídica como "associação civil sem fins lucrativos" (ou figura similar, conforme a normativa de cada país).

Os estatutos ou cartas organizativas dessas associações refletirão uma orgânica e princípios idênticos aos expostos nos materiais organizativos oficiais em nível mundial.

8. Recomendações para a nova etapa

É recomendável que, no início desta nova etapa, a coordenação mundial esteja a cargo de uma "Equipe Promotora Mundial" (4) de aproximadamente 10 membros. Eles virão da Comissão que elaborou este documento e poderão somar-se outras pessoas que essa Comissão considere conveniente. Ela deixará de funcionar ao constituírem-se as equipes de coordenação depois das eleições.


(1) Silo, Dicionário Humanista Obras Completas , Vol. II, Plaza y Valdés, 2002 
(2) Silo, IV Carta a meus amigos Obras Completas , Vol. I, Plaza y Valdés, 2002 
(3) Silo. Humanizar a Terra , Obras Completas, Vol. I, Plaza y Valdés, 2002 
(4) Ficam a cargo dessa Equipe a definição dos detalhes de implementação, como calendários com datas das campanhas econômicas e eleições, parâmetros para a definição do montante da contribuição anual, distribuição por níveis de coordenação desses recursos, funções específicas das Equipes Promotoras Mundiais, determinação do logotipo oficial, etc.